Declaração Universal dos Direitos Humanos: Introdução
60 anos atrás, nações por todo o mundo se uniram para reconhecer que todas as pessoas, em todas as nações, são livres e iguais, independetemente de raça, religião, status econômico, idade, gênero ou outras características pessoais. Através da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, as Nações Unidas reconheceram o primeiro documento internacional dos direitos humanos como a fundação da paz, justiça e liberdade no mundo.
A Declaração Universal delineia 30 direitos essenciais básicos para todo ser humano realizar seu potencial completo e viver uma vida livre do medo e do querer. Foi uma aproximação única que se desenvolveu no mundo dizendo "nunca mais" para eventos horríveis da Segunda Guerra Mundial, uma guerra que trouxe uma série de atrocidades nunca vistas anteriormente. Há uma estimativa que 50 milhões morreram. Os crimes de guerra foram comuns: do Holocausto onde a Alemanha Nazista procurou eliminar 'undesirables' como Jews, Poles, Slavs, Roma, Sinti, conseguiu anular fisicamente e mentalmente homossexuais e outras pessoas, até o uso de escravos do sexo, conhecido como "mulheres do conforto" pelos soldados Japoneses. Campos de trabalho foram usados por todo o mundo e, de maneira perturbadora, a Segunda Guerra Mundial trouxe a primeira prova da guerra biológica pelo Japão e o uso de bombas atômicas em Nagasaki e Hiroshima pelos Estados Unidos da América. Leia Mais...
A Declaração Universal afirma que todas as pessoas possuem direito à vida, liberdade e segurança pessoal (Artigo 3), como também o direito ao padrão de vida adequado para a saúde e bem estar de si mesmo e de sua família (Artigo 25). Esses dois direitos fundamentais são baseados na realidade de que toda pessoa precisa de um ambiente que sustenta para o bem estar na vida. O Artigo 25 por exemplo destaca o direito à comida e nutrição, mas para sustentar esses direitos precisamos da terra fértil para produzir alimentos. Nós também precisamos de água limpa e ar. Com a mudança climática e nossa confiança contínua em recursos não-renováveis, nós estamos ameaçando a existência contínua desses recursos básicos, que são essencias para a vida - a vida que é segura, livre e saudável.
O Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) define Desenvolvimento Sustentável como desenvolvimento que assegura que os recursos e o meio ambiente que existem hoje possam ser usados pelas gerações futuras. A destruição continua do meio ambiente por práticas como desflorestamento, água contaminada e ar poluído comprometem não somente nosso acesso à um meio ambiente que assegura bem estar, mas também as gerações futuras. É impossível separar o bem estar da humanidade do bem estar da terra. A Declaração, através desses dois artigos (3 e 25), coloca a importância da proteção da terra e de seus recursos.
No Canadá, um dos problemas críticos da nossa economia é a exploração de petróleo e a produção. Os críticos da indústria de petróleo afirmam que medidas que foram tomadas não bastam para minimizar o impacto dessa indústria no meio ambiente e na saúde. A indústria de petróleo usa uma quantidade elevada de água no processamento, com impacto no uso de terra e contribui para altos níveis de emissões de gases poluentes. Produzir um metro cúbico de petróleo de areias de petróleo em Alberta são necessários 2-4.5 metros cúbicos de água. Cada barril deste petróleo emite mais de 80 kg de gases poluentes. O aumento global do consumo de petróleo e gás continua propagando as práticas não sustentáveis associadas à essa indústria.
O acesso à água limpa, potável é também uma questão crítica que se relaciona com desenvolvimento sustentável. Todas as coisas vivas dependem da água; globalmente, contudo, a qualidade e acesso à água continuam se deteriorando. As Nações Unidas estimam que (1.1 billion) de pessoas não tenham acesso à água potável e (2.4 billion) não possuem saneamento adequado. No Canadá, os nossos recursos aquíferos estão ficando mais precários e são inacessíveis para alguns cidadãos. Algumas das Primeiras Nações em reservas, não conseguem ter acesso água limpa, por exemplo. Existem preocupações crescentes sobre o assunto com a deterioração dos nossos recursos aquíferos e o impacto que isto pode ter em futuras gerações.
Há muitos caminhos que ameaçam nosso meio ambiente. A redução clara de florestas na British Columbia, por exemplo, é parte de uma tendência global em direção ao desflorestamento. A tarifa anual do desflorestamento no mundo é 0.2 % ou 9.391.000 hectares por ano. Enfim isso afeta a qualidade do nosso ar e os recursos da terra.
Temos o direito à comida. Temos o direito à água. Temos o direito a uma casa para educar as nossas famílias e viver as nossas vidas. Precisamos dessas coisas; elas são uma necessidade de todos os outros direitos resguardados na Declaração Universal. Ainda, as crises ambientais globais estão colocando agora esses mesmos direitos em perigo. Como vários relatórios avisaram, os impactos da mudança climática já estão caindo desproporcionalmente no mais pobre e nos mais vulneráveis da nossa sociedade global, em particular crianças - aquelas cujos direitos sempre estão em risco. No Canadá, alguns Aborígenes, cujo caminho da vida ainda é intrinsecamente atado à terra, tentam tolerar os impactos da degradação ambiental. Desenvolvimento industrial e de recurso perto das suas comunidades contribuem para o ar, água e solo poluídos; uma perda de qualidade ou disponibilidade de comida e medicamentos tradicionais; e uma erosão das suas tradições culturais.
Os direitos humanos básicos - água limpa, caminhos tradicionais da vida, paz e segurança - muitas vezes são ameaçados pelas mesmas práticas que estão servindo de combustível para alterações climáticas. A menos que possamos desenvolver sustentabilidade, vamos nos encontrar sem aquelas coisas das quais mais precisamos, sem os nossos direitos humanos. Como indivíduos, podemos fazer escolhas para apoiar o meio ambiente - considerar uma forma de compartilhar o carro, reutilizar a sua própria caneca de café, apoiar uma campanha ambiental, ou apenas gastar o tempo aprendendo mais. Cada ação individual pode adicionar uma grande mudança.